Liderança, Performance e o Direito de ser "Ruim": Por que parei de criar para os outros?
A Armadilha da Eficiência
Como alguém que viveu mais de 20 anos na área comercial, eu sei o peso da palavra "performance". No mundo das metas e do CRM, tudo precisa ser medido, otimizado e convertido. Mas recentemente, uma pergunta me paralisou: quando foi a última vez que fiz algo sem querer um resultado prático?
Crescemos e trocamos o parquinho pela planilha. O erro, que antes era aprendizado, virou motivo de vergonha. Passamos a acreditar que só vale a pena dedicar tempo a algo se for para "gerar valor", "virar um job" ou ser postado no LinkedIn.
O Perigo da Liderança "Sempre On"
No setor de EdTech, vemos esse reflexo nas crianças presas às telas, mas raramente olhamos para nós, os líderes. Estamos sofrendo de uma atrofia criativa. Se o nosso tempo livre é gasto no scroll infinito ou pensando em como monetizar nosso próximo hobby, estamos secando a fonte da nossa própria inteligência estratégica.
Como vimos em debates recentes no SXSW, a IA vai cuidar do "como". Se nós, humanos, perdermos a capacidade de "brincar" com as ideias, de improvisar e de ter curiosidade genuína (sem fins lucrativos), seremos apenas passageiros da tecnologia, e não os drivers.
Desmonetize seu Ócio
Concordo plenamente com o que dizem os especialistas: monetizar um hobby drena sua potência. No meu papel de Partner Manager, lido com alta complexidade. Se eu não tiver um espaço onde posso ser "ruim", onde posso desenhar um guardanapo ou cantar desafinado sem medo de um KPI, meu cérebro perde a elasticidade para resolver os grandes problemas do trabalho.
Meu Compromisso (e o Convite a você)
A criatividade não é um privilégio de artistas "fora da curva". É uma veia que corre em todos nós, mas que precisa de oxigênio — e o oxigênio da criatividade é o descompromisso.
Para ser um líder melhor em 2026, decidi resgatar o meu "instinto infantil":
Aceitar o rascunho: Nem toda ideia precisa virar um projeto.
Proteger o ócio: O silêncio e o tédio são onde a IA não alcança.
Criar para mim: Resgatar hobbies que não têm lugar no meu currículo, mas têm lugar na minha alma.
E você? Quando foi a última vez que se permitiu fazer algo apenas porque era divertido, e não porque era produtivo?

Comentários
Postar um comentário