O Abismo entre o Palco e o Bastidor: Liderança na Sociedade do Espetáculo
Recentemente, me peguei refletindo sobre um incômodo comum: o "profissional do LinkedIn" raramente se parece com o profissional que encontramos no mundo real. No feed, as trajetórias são linhas retas de superação, aprendizados redondos e gratidão constante. Na vida real — aquela que eu navego há mais de 20 anos na área comercial — o cenário é outro: é feito de decisões no improviso, reuniões cansativas, política de bastidor e o esforço silencioso de quem apenas precisa fazer o trabalho funcionar.
Essa desconexão não é nova, mas nunca foi tão intensa.
A Máscara do Espetáculo
Guy Debord, ainda nos anos 60, previu o que chamamos de A Sociedade do Espetáculo. Ele argumentava que, em um mundo dominado pela imagem, o "ser" é substituído pelo "ter", que por sua vez é substituído pelo "parecer".
Hoje, o LinkedIn virou o nosso "álbum perfeito". Assim como o Instagram é a vitrine da vida pessoal, a rede profissional tornou-se uma performance constante. Sentimos que precisamos ostentar uma "lucidez existencial" e uma maturidade impecável em cada post. Criamos uma ideologia materializada onde a máscara de competência é o nosso principal produto.
O Valor do "Sem Glamour"
Mas aqui está a verdade que o algoritmo raramente premia: minha senioridade não foi construída nos posts de vitória. Ela foi forjada nos momentos sem glamour. Nos erros que não geram frases inspiradoras, na resiliência necessária para atravessar trimestres difíceis e na coragem de renunciar a projetos que traziam renda, mas roubavam a paz e o tempo de desenvolvimento. Minha vivência não veio de epifanias curadas para o feed, mas da repetição, do cansaço e da resolução de problemas reais que ninguém estava aplaudindo.
Maturidade Digital: Estar no Jogo sem Perder a Essência
Não sou contra a imagem; ela é o protocolo de comunicação do nosso tempo. Especialmente em empresas de tecnologia e em ambientes de alta estratégia como o MBA, a imagem abre portas. No entanto, o perigo reside em confundir a reputação (o palco) com a confiança (o bastidor).
Reputação se constrói com boas narrativas.
Confiança se constrói entregando o que foi prometido no silêncio do dia a dia.
Acredito em uma humanização real da rede. Menos personagens, mais pessoas de carne e osso. Menos positividade tóxica e mais "verdade do trabalho". No fim do dia, o que sustenta uma carreira a longo prazo não é a quantidade de curtidas no seu post de superação, mas a sua capacidade de sustentar resultados quando o Zoom desliga e as luzes do espetáculo se apagam.
Vidal Liderança, Estratégia e o que acontece nos bastidores.
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